Daniel: muito mais que a cova de Leões (1)

Postado por em fev 20, 2014 em Blog | 6 Comentários

Daniel: muito mais que a cova de Leões 1

Bom dia, pessoal! Decidi começar um estudo sobre o livro de Daniel ontem, e então me ocorreu: “por que não compartilhar com o PADD o meu entendimento e o que Deus revelará durante esse estudo?!”. Além disso, é uma ótima forma de eu aprender com vocês também, pois nos comentários podemos ter um verdadeiro “fórum”. Ok. O estudo será dividido então nos capítulos de Daniel, que são 12. O livro é bem curto, e vou fazer um texto para cada capítulo. Nesse texto, pretendo esmiuçar bem a parte histórica e teológica das passagens. É claro, e quero deixar bem claro (com o perdão da redundância), que não sou teólogo e muito menos dono da verdade. Vou procurar ser o mais “não-denominacional” possível e evitar entrar em questões doutrinárias. Bom, sabidos os termos, acho que podemos iniciar nosso primeiro estudo. Pretendo dividir em perguntas, bem como em tópicos, então não espere um padrão – acho que meus textos definitivamente não possuem padrão qualquer.

Ah, um último ponto. Talvez o mais importante. A minha ideia é publicar um texto por semana, para que possamos ter tempo de absorver a informação e o estudo, além de podermos discutir e entender melhor o contexto, etc. Desse modo, o estudo vai se estender, pasmem, até Maio! Mas então, por que estudar Daniel?

Daniel é um livro completo. Fala de diversos assuntos e mostra a coragem do jovem em honrar a Deus em todas as situações. Também relata a fidelidade do Senhor e a forma como Ele honra Seus filhos. É um bom livro pra entender a ação de Deus na vida de um jovem, e a importância da fidelidade dEle para conosco e nossa para com Ele. É um livro completo! Vai ser prazeroso estudar a vida desse rapaz!

Entendendo o estudo: Para compreender como abordaremos esse estudo, é essencial fornecermos alguns comentários. 1) As passagens bíblicas estarão todas em grifo itálico, com seu respectivo versículo entre parênteses ao final; 2) A Bíblia utilizada é a “Bíblia de Estudo Plenitude” (BEP), tradução Almeida Revista e Corrigida; 3) É importante acompanhar o estudo com sua Bíblia. Caso não possua uma, aconselho o uso da Bíblia Online; 4) Aparecerão grifos meus entre colchetes nos textos bíblicos; 5) Ao fim de cada estudo, posto uma conclusão, onde deixo meu parecer mais pessoal a respeito do texto e abro espaço para questionamentos e dúvidas; 6) Bora começar esse estudo!

Capítulo 1 (vs. 1-21)

Daniel é muito conhecido por dois relatos famosos: a cova dos leões e a fornalha ardente. Mas há muito mais a entender nas entrelinhas, no contexto e na visão histórica. O cap. 1 inicia mencionando o contexto histórico. O livro inicia relatando o “ano terceiro do reinado de Jeoaquim” (v. 1). De acordo com a BEP, isso ocorre por volta do ano 605 a.C.. O rei procurava jovens “em que não houvesse defeito algum, formosos de aparência, instruidos em toda a sabedoria, e sábios em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para viver no palácio do rei, a fim de que fossem ensinados nas letras e na língua dos caldeus” (v. 4).

Para alimentá-los durante esse treinamento, os jovens comeriam do manjar do rei e tomariam o vinho que ele bebia, pelo período de três anos (v. 5). Daniel, Hananias, Misael e Azarias, quatro jovens hebreus, foram então levados ao reino de Nabucodonosor. Seus nomes foram mudados: Daniel passou a se chamar Beltessazar; Hananias, Sadraque; Misael, Mesaque; e Azarias, Abede-Nego.

Talvez o versículo chave de todo o livro seja o seguinte: “E Daniel assentou em seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar” (v. 8). Essa passagem demonstra, em primeira mão, a fidelidade de Daniel ao seu Senhor. É tão profundo, que não consigo expressar em palavras. Pare por um instante, releia a passagem, e vislumbre a maravilha do que Deus está lhe falando. Um jovem sábio, cheio de conhecimento, sem defeito algum. Ele soube ser fiel ao seu Deus invisível, apesar de tudo parecer contrário. É claro que lendo a passagem superficialmente, não entendemos a profundidade que está por trás. Pense comigo. Daniel é um jovem hebreu, filho de Israel, que não tem relação alguma com o rei que está tomando essa terra. E ele vai contra esse cara! Tudo pra se manter fiel a Deus. Isso é uma lição enorme para nós, Cristãos, pois nos voltamos demais contra o nosso Senhor. Qualquer dificuldade, ou até mesmo confronto que recebemos, é motivo para nos esquivarmos e, covardemente, renunciarmos ou negarmos ao nosso Deus. Daniel não fez isso, e foi honrado pelo Pai.

Nos versículos seguintes, a história mostra que o chefe dos eunucos (o homem que cuidava desses jovens) temeu o seu senhor. Se Daniel e seus companheiros adquirissem uma aparência de fracos ou tristes, o rei notaria a diferença e mandaria matar o chefe. O que houve foi o oposto, pois “ao fim dos dez dias, pareceram os seus semblantes melhores; eles estavam mais gordos do que todos os jovens que comiam porção do manjar do rei” (v. 15). Deus cuidou dos detalhes e, por fim, “em toda a matéria de sabedoria e de inteligência, sobre que o rei lhes fez perguntas, os achou dez vezes mais doutos [inteligentes, sábios] do que todos os magos ou astrólogos que havia em todo o seu reino” (v. 20).

Conclusão: O primeiro capítulo de Daniel já possui valiosas lições para nós, Cristãos do século XXI. Entendemos que as histórias do Antigo Testamento devem ser contextualizadas e analisadas sob uma perspectiva “Jesuística”. Mas são bons textos que nos ensinam sobre o amor de Deus e também do nosso papel diante do nosso Senhor e das pessoas. A lição mais importante desse capítulo é sobre fidelidade. Quando Daniel decidiu não se contaminar com o manjar do rei, ele nos ensinou algo precioso. Vivemos em um mundo pecaminoso, e é difícil não se contaminar. No entanto, essa é uma decisão que temos que tomar dia após dia. Isso não significa que não vamos mais pecar, ou que seremos perfeitos e imaculados. Significa, porém, que devemos nos esforçar e não apenas esperar na misericórdia do Senhor. Devemos cuidar em não achar que, por estarmos num tempo chamado “da graça”, estamos livres da justiça de Deus. Oro para que esse primeiro capítulo esteja nos nossos corações, e que a Palavra de Deus esteja profundamente dentro de nós. Que aprendamos a não nos contaminar, pois sabemos que dessa forma Deus estará cuidando de nós de formas especiais e inimagináveis.


Confira os outros textos da série sobre Daniel:

Cap. 2 – Daniel: muito mais que a cova de Leões (2)
Cap. 3 – Quem não tem ídolos?
Cap. 4 – Desfaze os teus pecados
Cap. 5 – Santo e Profano
Cap. 6 – Um anjo na cova dos leões
Cap. 7 – Fechando o coração
Cap. 8 – Qual a sua oferta?
Cap. 9 – Aprendendo a Orar
Cap. 10 – Compreender e Humilhar
Cap. 11 e 12 – Daniel sai da cova dos leões

 

  • Rafael Bottega

    Ótimo texto,
    Se achamos que o mundo nos suprirá, com Deus estaremos “mais gordos” do que se estivéssemos nos esbanjando no manjar mundano.
    Se nos achamos espertos com a sabedoria do mundo, com Deus seremos 10x mais sábios e cheios de conhecimento.

    Que nossa fidelidade seja igual a de Daniel, que mesmo no mundo, não se deixou contaminar. Que possamos ter os olhos fixos em Cristo para receber a coroa da vida. Combatendo o bom combate, enfrentando fornalhas e leões, correndo para o alvo que é Cristo.

    • leocechet

      Muito bom, Rafa! Eu vejo que a história de Daniel é mais profunda do que jamais conseguiremos interpretar. Só vivendo pra saber. O fato de ele não ter se contaminado em terra estranha, sob uma liderança não-cristã, fala muito a respeito de nós hoje. Muitas vezes somos submetidos a autoridades que não necessariamente são divinas (embora Deus tenha instituído elas). E saber lidar com isso, apenas com a presença do Esp Santo!

      • Jairo Arruda

        Parabéns pelo post e por essa ideia de gerar até mesmo um post aberto a debate, isso “agrega” néh! shasuhauhsa (Quase a tua ideia néh Bottega?)… Mas entrando agora para o debate.

        Como o Bottega comentou, mas também como as sábias palavras suas Léo, como qualquer palavra da bíblia se renova e traz uma profundidade quando queremos extrair o máximo delas.

        Também vejo essa questão de Daniel, se olharmos por uma ótica podemos dizer que ele foi desobediente a autoridade, mas entendemos que Deus está ensinando sobre “discordar” e entendermos sobre as convicções de quem somos e que precisamos entender e saber quando e como devemos nos submeter.

        Vejo também a questão que ele usou a sabedoria para compartilhar o que Deus lhe tinha falado para aqueles que Deus tinha colocado na vida dele (seus amigos leais) para ajudá-lo e a motiva-lo também em obedecer a Deus.

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