O dia em que eu perdoei

Postado por em abr 13, 2015 em Blog | Sem Comentários

O dia em que eu perdoei

Como a maioria dos adolescentes, eu fui uma pessoa bem revoltada e rebelde, se as coisas não fossem como eu queria, eu enlouquecia e nada me servia.

Eu vivi toda minha adolescência e boa parte da minha vida adulta tendo dificuldades em amar o meu pai. Ao longo dos anos alguns fatos e atitudes dele me decepcionaram e me fizeram criar uma barreira, tudo que ele fazia me incomodava demais.

Eu e minhas irmãs por diversas vezes brigávamos com minha mãe, mas não tínhamos coragem de falar pra ele o que sentíamos.

Sempre tive na minha cabeça e no meu coração que ele deveria pedir perdão e se arrepender do jeito muitas vezes grosseiro dele e que eu não precisava fazer nada a respeito.

Aparentemente não era algo que me incomodasse tanto ou que tivesse me feito tão mal, eu apenas não conseguia criar proximidade com ele e como fazia anos que nossa relação era assim eu não sentia falta de ter o caminho livre para chegar nele.

No último carnaval participei de um acampamento de jovens e, em uma atividade de grupo célula, a pessoa que estava orientando o momento falou sobre sentimentos obscuros no nosso coração, sobre perdoar e resolver todas essas questões. Ela usou o exemplo da casa que é muito boa e bonita por fora, mas que os pilares que a seguram estão sendo corroídos e mais cedo ou mais tarde tudo desmorona.

A líder da atividade fez uma oração e disse para termos um momento íntimo com Deus, para pedirmos que Ele nos mostrasse o que precisávamos resolver. Nesse momento meu coração começou a doer, doeu tanto que eu cheguei a chorar, eu não queria chorar na frente das pessoas, mas não conseguia parar de chorar. Ninguém entendia o que estava acontecendo comigo, mas Deus acabava de me mostrar o quanto esse ressentimento em relação ao meu pai me machucava. Naquele exato momento eu entendi que precisava perdoar meu pai.

Sem sombras de dúvida isso foi a ocasião que mais me marcou no ano e provavelmente na vida.

Naquele dia o que eu mais queria era ir pra casa dar um abraço e dizer que o amava. Como ainda faltavam dois dias para isso, eu não me aguentei e liguei, falei qualquer coisa pra não dizer que só liguei pra dizer que amava ele e no final eu disse o te amo mais sincero e esperado que saiu de mim.

Uma alegria e uma paz gigante tomaram conta de mim. Hoje me sinto leve de uma maneira que não achava que existisse. Quem mais ganha com o perdão é quem aprende a perdoar!

Sobre Paloma Pena

Teimosa, intensa, super protetora, eterna criança, aprendiz de engraçada.