O dia em que descobri quem eu realmente sou

Postado por em jun 4, 2015 em Blog | 6 Comentários

O dia em que descobri quem eu realmente sou

Título extenso, né? Não que tenha sido um dia, que eu lembre a data exata, mas passei por um período de descobertas – digamos que ainda estou nele. São momentos como esse que fazem a vida dar uma volta e nunca retornar ao seu estado inicial. Alguns descobrem cedo, outros tarde. Pra ser sincero, não saberia dizer se no meu caso eu descobri cedo ou tarde. Só sei que alguns sofrimentos teriam sido poupados caso eu soubesse disso antes. E hoje estou nesse processo de libertação de mim mesmo.

Eu sempre ouvia as pessoas me falando que eu não deveria ter grandes expectativas nos outros. Poucas vezes me falaram a respeito de mim mesmo. Minhas autoexpectativas sempre foram elevadíssimas: notas boas na escola, uma boa faculdade, um bom emprego, um bom casamento, uma boa casa, um bom Cristão, uma boa pessoa… Sim, eram boas expectativas. De fato, quando eu tinha meus 16 anos, tinha certeza que aos 25 eu já seria pai (!) – estou com 26. A realidade, porém, é completamente diferente.

Hoje, não sou metade dessa expectativa toda. Sem entrar nos detalhes, eu me decepcionei, e muito, comigo mesmo. Acreditava ser alguém que na verdade não era. Coloquei grandes esperanças nas minhas atitudes e me frustrei. Fiz coisas das quais me arrependo profundamente, pequei de formas repreensíveis, machuquei as pessoas ao meu redor e destruí muito do futuro que eu queria tanto construir.

Depois de tanto colocar fé em mim mesmo, percebi que só me restou decepção sobre decepção. Não havia nada de bom em mim mesmo. Onde estava o jovem cheio de sonhos e expectativas, que tinha um futuro brilhante pela frente, um bom emprego e uma casa cheia de amor? Onde estava aquele que não contaria sequer uma pequena mentira, que jamais teria intenções erradas em seu coração? Ele nunca existiu. Nunca houve um eu melhor ou pior, apenas um pecador inconsciente da sua própria capacidade de pecar.

Quando descobri quem eu realmente sou, o pesar tomou conta. É impactante quando nos deparamos com a nossa natureza má e caída. Enxerguei-me por completo, vi que há um lado horrível em mim, no mais profundo do meu ser. Foi libertador, posso afirmar. Despi-me das expectativas e pude permitir que o sacrifício de Cristo fosse suficiente para mais um pecador arrependido.

A Palavra nos mostra um exemplo parecido:

“Pedro respondeu: “Ainda que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei! ”
Respondeu Jesus: “Asseguro-lhe que ainda esta noite, antes que o galo cante, três vezes você me negará”.
Mas Pedro declarou: “Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei”. E todos os outros discípulos disseram o mesmo.” – Mateus 26:33-35 (NVI)

Pedro tinha uma autoexpectativa muito alta. Ele jamais acreditou ser possível negar o mestre que tanto lhe ensinou. Jesus baixou suas expectativas e mostrou que ele o negaria naquela mesma noite. Pedro era um homem, como eu e você, sujeito às mesmas tentações e fracassos.

Quando descobri minha verdadeira identidade de pecador, pude olhar pra Jesus e aceitar Sua redenção. Baixei minhas expectativas com relação às pessoas, aos irmãos, familiares. Pude receber o perdão de Cristo e carregar a minha cruz. Vejo que não sou uma boa pessoa ou um bom Cristão. Sou um pecador, falho, que precisa diariamente da graça e misericórdia de Deus. E Ele me dá e me dará forças para cumprir com Sua vontade e mandamentos. Só assim pude descobrir o verdadeiro Deus, quando descobri quem eu realmente sou.

  • Jairo Arruda

    Cara seu melhor texto para mim! Identifiquei demais… muito bom.

    • Leo Cechet

      Valeu, Jairo! Que bom, cara. Mesmo! Esse tipo de texto é o que sai de dentro, de fato.

  • Matheus DalPrá

    Show de bola, Leo

    • Leo Cechet

      Valeu, Matheus!

  • Marlon Vieira

    Cara, que texto! Senti sua inspiração vindo da alma ao escrevê-lo, um desabafo, um testemunho. Reconhecer nos outros é mais fácil, mas olhar para dentro de nós é muito mais difícil, e confesso que tenho expectativas sobre mim muito parecidas! Obrigado por compartilhar.

    • Leo Cechet

      Valeu, Marlon!