Meu Deus, meu Deus por que me abandonaste?

Postado por em fev 20, 2017 em Blog | Sem Comentários

Meu Deus, meu Deus por que me abandonaste?

Quantos de nós já não fizeram essa pergunta algumas vezes no decorrer da vida? Quantas vezes sentimos como se estivéssemos sem chão? Quantas vezes sentimos como se tivéssemos perdido o controle? Creio que seja um sentimento universal, aquele de “fim de mundo” face à uma situação complicada a qual parece impossível de ser resolvida.

Eu gostaria de revelar duas pessoas que utilizaram dessas mesmas palavras para se lamentar perante uma ocasião adversa. Vale ressaltar que a lamentação é muito diferente da murmuração. O teólogo Jonas Madureira diz que “A lamentação é a oração de alguém que não perdeu a fé, de alguém mergulhado num dilema, que resolveu expressar sua dor em meio ao louvor.” Como veremos à frente, a lamentação não é um pecado, muito pelo contrário, tem inclusive um livro da Bíblia com esse nome. Por outro lado, a murmuração é uma reclamação maldosa, um incansável resmungo, é a dor de alguém que não está colocando o foco em Deus, mas sim em si mesmo.

A primeira pessoa que usa essas palavras é Davi, no Salmo 22. Ele estava saturado de preocupações, de desespero, de tristeza, e de lamentação; mesmo assim ele era um homem que, mesmo tendo sofrido de inúmeras maneiras, jamais abdicou sua fé em Deus, pois como ele canta num versículo anterior “O rei confia no Senhor: por causa da fidelidade do Altíssimo ele não será abalado.”(Salmo 21:7 – NVI). Podemos perceber que Davi, em poucos versículos, mudava totalmente o tom de seus salmos; em um versículo ele falava sobre a terrível perseguição que sofria de seus inimigos, e no outro ele exalta o nome de Deus, glorificando o nome dEle. Ou seja, tão rápido quanto demonstrar angústia, Davi era rápido em reconhecer que Deus era fiel.

A segunda pessoa que diz essa frase é o próprio Cristo quando estava na cruz. Em Mateus 27:46 diz “Eloí, Eloí, lamá sabactâni”. Nesse versículo vemos a apropriação do versículo utilizado por Davi.

É interessante pensar sobre a intenção de Jesus nesse instante, pois certamente Ele tinha conhecimento que iria ressurgir. Se Ele tinha consciência disso o tempo inteiro, então por que ele falaria algo assim? Creio que o segredo esteja no fato de que naquele momento Ele sentiu os pecados imundos de cada ser humano, sobrecarregando seu íntimo puro e profundo. Ele estava impregnado de dor, mas estava transbordando amor ao mesmo tempo naquele momento de entrega porque Ele pensava particularmente em cada um de nós.

Nesse sentido, vemos um dos mistérios da fé em Cristo. Cristo era 100% homem e 100% Deus, ou seja, Ele sentiu todas as dores que sentimos hoje, ele chorou como nós (João 11:35), ele se entristeceu e teve voz enquanto sofria. Da mesma maneira, nós temos nossos momentos atribulados, portanto não se pode exigir que sejamos robôs, sempre felizes, sempre certos, sempre perfeitos. A fé em Cristo não determina ausência de dores, muito menos a falta de problemas e de aflições; a fé em Cristo revela algo muito mais impactante: as tribulações nos levam para mais perto de Cristo. As dores do nosso mundo nos tornam pessoas enraizadas em Cristo com o passar dos problemas.

Cristo estava falando, em outras palavras: “Filho, filha, sei o que você está sentindo nesse momento, mas não perca sua fé, persista no Senhor e renove suas forças naquele que é a própria força. Não se desespere face às lutas desse mundo, mas coloque sua esperança em Deus.”

Em suma, as agonias que passamos nos deixam sem rumo, nos deixam extremamente amargurados e descontrolados, nos sentimos como se tivéssemos perdido o controle; porém, eu gosto de pensar que eu nunca perdi o controle, pois o controle nunca foi meu. De fato, o controle sempre esteve nas mãos do Criador. Sendo assim, gostaria de encorajar todos os leitores e a mim a ponderar sobre as palavras enunciadas por Davi e Cristo, estudando-as a ponto de entender que sofrer não é errado, ter tribulações não é um castigo, mas a ponto de saber que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, e que se Deus permite alguns descasos, é principalmente para a glória do PAI e para a nossa mudança de caráter que tanto necessitamos. Além disso, a quantidade de lamentações que pronunciamos deveria ser acompanhada por uma enxurrada de palavras de gratidão ao Pai pelo sacrifício mais perfeito feito na história da humanidade, como está escrito:

“Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos.” – 1 João 3:16 (NVI)

Sobre Louise Sebben

Enamorada de risadas, de brincadeiras, de línguas estrangeiras, de viagens sem rumo e principalmente de açaí, de alfajor e de um bom chimarrão. Jesus é minha canção, o amor é meu instrumento, a bíblia é minha partitura e o céu é minha pista de dança.