Luz Brilhante, Sal Salgado

Postado por em mar 5, 2016 em Blog | Sem Comentários

Luz Brilhante, Sal Salgado

Prazer a todos! Esse é meu primeiro texto como colunista e não poderia ser postado num dia melhor. Dia 5 de março! Melhor dia do ano, meu aniversário. Clap Clap!

Eu demorei muito para escolher um tema. Pensei, repensei, pensei de novo e não chegava a nenhuma conclusão. Até que assuntos como prioridades diárias, vida, começaram a rodear minha mente até que cheguei a uma conclusão.

Hoje eu faço 20 anos e não percebi o tempo passar. Mas agora me pergunto, será que até aqui, vivi uma vida digna? Será que vacilei demais? Pensa comigo. Como você tem agido?

Quando fiz o Curso Bíblico Básico na FLT (Faculdade Luterana de Teologia), realizei junto com dois colegas de curso (Tiago Luís Emrich e Mauricio Wrubleski) um estudo em cima da passagem de Mateus 5.13-16. Lá fala sobre sermos Sal e Luz do mundo. Mas o que isso quer dizer? Resumindo, nós somos criaturas de Deus e estamos aqui para sermos embaixadores de Cristo, ou seja, apresentar Cristo ao mundo a partir de nosso testemunho, por palavras e ações. No texto, Jesus sobe num morro e ensina aos seus discípulos como um cristão deve agir, e logo no versículo 13, Ele nos compara ao sal.

Naquela época, o sal era extraído principalmente de duas formas. Uma delas era às margens do mar vermelho, que por ter alta taxa de salinidade contém grandes pedras de sal. Também, aos arredores da Síria existem pequenos lagos. Outra forma que usavam, era retirar o sal de rochas, porém, a parte externa do sal se misturava com outras substâncias.

O sal tinha duas utilidades básicas:

1ª) Conservar os alimentos perecíveis para que tivessem mais durabilidade.

2ª) Temperar alimentos como nos dias atuais.

Quimicamente falando é impossível o sal puro perder seu sabor. Mas como o sal era retirado diretamente da natureza, sem um processo adequado de limpeza, na maioria das vezes ele continha restos de gesso ou resquícios de plantas e se misturando com outras coisas ele consequentemente perdia seu sabor. Outro fator que fazia com que ele perdesse seu sabor era ficar muito tempo armazenado e o destino do sal estragado é o mais interessante. Na época de Jesus Cristo as casas não tinham telhados, apenas terraços, os quais eram muito frequentados pelos moradores. Como naquela época as casas não eram construídas com o conhecimento atual de engenharia civil, era comum que esses terraços continham algumas infiltrações, que causavam certos incômodos nos raros dias de chuva. Por este motivo, o sal que se tornava insípido era jogado sobre os terraços para que assim contribuísse no fechamento de infiltrações e acabava sendo pisoteado pelos moradores da casa.

Na época de Cristo não havia luz elétrica, por isso o pouco de luz que existia através de lamparinas e tochas, eram essenciais para a sobrevivência do povo. Se verificarmos essa passagem no texto original do grego, pode-se observar que a palavra luz tem o sentido tanto de luz, como luzeiro, ou seja, aquele que irradia luz. Jesus também fala de candeia ou lâmpada. Este objeto era um tipo de lamparina abastecida a óleo.

Bom, agora chega de química e vamos para o que realmente interessa.

Pensem comigo. Usem a criatividade. Nós, os discípulos de Cristo, somos sal da terra e imagine que a terra é uma grande comida insossa. Mas, somos minoria, então nos perguntamos: esse mundo está cheio de crueldade e iniquidade e nós somos minoria, por que Deus ainda não deu um fim nesse mundo perverso? A resposta está no próprio texto e essa resposta está relacionada aos cristãos, os discípulos de Cristo, o sal. Esse sal conserva o mundo e graças a ele, Deus retarda e poupa-nos do seu julgamento definitivo.

O discípulo que não enxerga o seu chamado é como um sal que permanece no saleiro. Ele perde o seu gosto e utilidade, ou caso se misture com outras substâncias também deixa de ser útil. Se nós, discípulos de Cristo buscarmos fazer as nossas vontades, esquecendo da vontade de Deus, perdemos nossa capacidade de salgar o meio no qual vivemos, pois pecado e Deus não podem ser misturados. Também há o perigo de não sairmos do saleiro, sendo ele nossa zona de conforto, perdendo a capacidade de fazermos a diferença. Devemos salgar o que está próximo. Ao discípulo não é dado à ordem de salgar o mundo todo. Toda vez que o sal é utilizado para salgar um alimento, isso ocorre por sua própria dissolução. Sendo assim, servir a Cristo significa entregar-se a causa, sacrificando seus anseios para edificar o Reino de Deus. Quantas vezes estamos mais dispostos a sair com amigos do que ajudar a organizar paranauês na igreja? Sair da zona de conforto é essencial para nossa vida de fé.

Como disse lá em cima, naquela época o sal insípido era jogado sobre os terraços e pisoteado pelas pessoas, e nos dias atuais não tem sido muito diferente em relação ao Cristianismo egoísta, que guarda suas bênçãos apenas para si mesmo. Cara! Não devemos guardar a graça de Deus só para nós mesmos. Onde fica o amor ao próximo? Você deixa de salgar ao seu redor por vergonha do pensamento alheio? Dessa forma você se torna um sal inútil, pois simplesmente ouve a Palavra e não a pratica, não se dissolve, não se entrega para ajudar no salgar, no fazer a diferença até onde mora. Agora pensa comigo. Que tipo de sal você tem sido? Você têm alegria em servir a Deus mesmo abrindo mãos das suas vontades? Eu particularmente levei tempo para me disponibilizar neste sentido.

Jesus também nos chama por luz do mundo. Ele não está falando que nós somos a luz, mas Deus permite que a luz brilhe em nós e nós mesmos também a permitimos, aceitando Cristo em nosso viver. O mundo vive em uma escuridão completa e no escuro as pessoas vagam sem rumo, ferindo-se, machucando umas as outras, até que de repente, veem uma luz, algo que as dá direção, um discernimento do que é certo e errado, deixando-as com uma visão clara. Sabia que é dessa forma que as outras pessoas deveriam se sentir quando veem um cristão? E para isso acontecer, nós devemos nos mostrar luz, informando o caminho revelado por Jesus.

Na Bíblia, o termo luz está ligado à vida, enquanto a escuridão está atrelada à morte. Jesus é a luz e nós somos os luzeiros (João 8.12, Lucas 12.35). O próprio João denomina-se testemunha da luz (João 1.6-9).

Da mesma forma que o sal se dissolve para exercer sua função, a candeia também consome seu óleo para irradiar a luz. A ideia dos discípulos esconderem sua luz é comparada a ideia de esconder uma cidade construída sob um monte. Quase que impossível! Trago assim, três aspectos:

1- Consequência: é impossível esconder a luz de Cristo, logo, aquele que não a irradia não é discípulo do Filho. A luz irradiada pelo discípulo é uma consequência da sua vida de santificação.

2- Ordem: é absurdo um seguidor de Cristo querer esconder a luz que é Cristo. (Agora utilizando a ideia da cidade construída num monte). Se você possui essa luz, brilhe, por que é impossível não notarem sua diferença se você é um seguidor do Filho de Deus.

3- Alerta: Se é impossível esconder a luz no meio da escuridão, a luz fica em evidência. Sabendo disso, somos alertados a refletir um bom testemunho. Em Romanos 2.24. Jesus deixa claro que o mundo vê a nossa obra e percebe se deixamos a luz genuína de Cristo brilhar.

Isso tudo nos leva a refletir. Deus me deu e te deu o privilégio de sermos portadores da Sua luz. Você tem deixado essa luz brilhar?

A ordem de Cristo é simples: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens” (Mateus 5:16 NVI). Jesus é a luz e Ele permite que a luz brilhe em nós se agirmos conforme a sua vontade. Deixe Ele brilhar na sua vida, lembrando de que aquele que não é sal e luz, não é discípulo.

Deixo uma pergunta final: como você tem agido? Nos últimos anos seu testemunho tem sido exemplo para pessoas que convivem diariamente com você? Você tem apresentado Jesus ao mundo, sendo um embaixador dEle?

Que Deus esteja nos capacitando e guiando. Forte abraço!

Sobre Julia Betina Oelke

Interessada, complicada, extrovertida, ansiosa, indecisa, sonhadora. Alguém que questiona, busca mudanças quando necessárias, gosta do difícil, de superar expectativas e de coisas resolvidas. Sou daquelas que curte um banho de chuva, brincar com os cachorros, valorizo uma boa conversa e uma gargalhada acompanhada de uma xícara de café. Gosto de refletir sobre a vida e as pequenas coisas que Deus tem nos presenteado todos os dias. Deus tem me capacitado a cada dia que passa. Às vezes é barra, mas ao mesmo tempo é gratificante. Tenho enorme prazer em servir a Cristo e falar dEle para outras pessoas. O amor de Deus me alcançou há uns 12 anos atrás e hoje não me vejo sem Ele. Meu alvo é Cristo e estou aqui na terra para exaltá-lo e fazer dEle conhecido. Deus é o comandante e ou sou o soldado frágil que necessita da graça e misericórdia dEle. "Se eu não soubesse que Jesus não podia pecar nem se quisesse, eu diria que Ele roubou meu coração véi!" – Luca Martini