Eu não sou sua inimiga

Postado por em nov 7, 2016 em Blog | Sem Comentários

Eu não sou sua inimiga

Nós (todas) somos ensinadas a competir umas com as outras.

Todos os dias, a disputa pela boneca perfeita, pelo batom mais bonito, pelo vestido mais caro, pelo namorado mais romântico, pela carreira de mais sucesso, pelos filhos mais educados e pela continuação da grande lista que nos aprisiona continua. Todos os dias, somos oprimidas de uma forma diferente.

Esses dias visitei uma igreja. Lá, ouvi uma moça exclamando: “Feliz era Eva, que não tinha concorrência!” Essa mulher estava no púlpito, ministrando. Todas as que a ouviam riram e concordaram. Mas concordaram com o que mesmo?

Elas concordaram que existe sim competição entre nós dentro das comunidades. Aqui o jogo também é sujo: nós disputamos os cargos de liderança (isso quando nos dão a oportunidade de chegar a cargos de liderança… mas essa pauta fica para uma próxima), disputamos o solo no ministério de louvor, o papel principal na peça Evangelística de Natal, disputamos o amor do pastorzinho em ascensão que provavelmente nos dará privilégios e notoriedade dentro da comunidade e disputamos até a barra da saia no joelho. Porque mulher de Deus, amigas, só usa saia com barra depois do joelho. Senão tá na carne. Não serve. Tem que ir no culto de libertação.

Dentro das igrejas, nós falamos mal (muito mal) daquelas que tem dificuldades em manter um casamento saudável. E as que não gostam ou não levam jeito para a cozinha? Contamos para as outras: “a irmã Ferdinoca não sabe nem fazer bolo de caixinha, mas ó to te contando pra você orar.” E a pobre irmã Ferdinoca fica lá, sem ninguém ensinar a porcaria do bolo pra ela.

Na igreja a gente não usa o bordão “recalcada”. Na igreja é Jezabel, Dalila e por aí vai. Só xingamento bíblico, afinal de contas, somos diferenciadas. Separadas.

E eu poderia ficar muito tempo escrevendo sobre o que já vi nesses anos de Evangelho. E olha que sou só uma mocinha, com meus 22 anos à porta e o mínimo de experiência para uma porção de assuntos. O fato é que eu quero continuar frequentando a Igreja de Cristo. Eu quero me casar, quero que minhas filhas cresçam em um ambiente saudável e que meus filhos entendam o quanto todas (TODAS!!!!!!!!!!!!!) as mulheres são dignas de respeito e atenção.

Eu escrevo esse texto para dizer a você, minha irmã, que eu não sou sua inimiga. Eu respeito seu passado, sua história e as marcas que a vida te deixou. Eu respeito seu presente e as dificuldades que você tem enfrentado, porque eu também enfrento tanta coisa. Ser mulher dentro da igreja é uma questão de fé, coragem e esperança. Esperança que um dia tudo o que foi distorcido ao longo da história sobre nós será desconstruído e, finalmente, poderemos ser livres em nosso culto a Jesus Cristo. Sem essa Inquisição, esse jogo de poder, essa opressão.

Eu escrevo esse texto como um desabafo, pedindo para que a gente pare de uma vez de olhar as mulheres na igreja dessa forma e comece a tomar atitudes mais parecidas com a de Jesus. Que a gente se ouça, se coloque no lugar da outra, faça a diferença na história da Igreja, que a gente ore mais e pratique mais tudo aquilo que ensinamos. A gente não precisa viver de aparências. A gente não precisa ter casamentos de aparência, ministérios de aparência, amizades de aparência, espiritualidade de aparência.

Eu escrevo esse texto para dizer a você, minha irmã, que nós não estamos em uma competição. Não existe jogo, não existe vencedor. Nós estamos juntas no mesmo barco, enfrentando o mundo todos os dias e alcançando graça e misericórdia todas as vezes que abrimos nossos olhos.

Eu não sou sua inimiga, nem na igreja e nem na vida.

E eu sei fazer bolo. Se você quiser, eu posso te ensinar. E orar também!

Sobre Andressa Rosa

Se fosse definir uma menina cheia de sonhos, louca por Jesus e pelo poder que está no nome dEle... Se fosse definir a filha, a estudante de comunicação social, a atriz de alma e formação, que tem seu casamento planejado desde os 7 anos de idade... Se fosse definir o mundo dos "talvez" e das certezas, uma pequena biografia não seria o bastante. Então me chame de Dede. E vem conversar comigo!