Estresse Cristão

Postado por em out 26, 2016 em Blog | Sem Comentários

Estresse Cristão

Os últimos meses foram bem difíceis. Isso porque agora, olhando para trás, consigo visualizar o quanto estava sendo nociva a mim mesma e o quanto isso tinha a ver com a minha espiritualidade, com Deus, com o próximo e com a Criação.

Não, esse não é um post com a minha forma de escrever que vocês estão acostumados. Eu preciso falar do que vivi porque sei que você pode estar passando por isso também. Ou pode passar um dia.

Mudar de igreja foi uma decisão complexa. Aliás, todas as vezes que saímos da nossa zona de conforto parece que o chão se abre debaixo dos nossos pés. É necessário ter muita fé naquele que te sustenta para avançar. E, quando decidi partir e voar, foi exatamente isso que aconteceu. Não tive tempo para verificar quão fortes minhas asas estavam. Mas as razões que me levaram a isso são bem mais profundas. Talvez assunto para outro dia, caso vocês queiram saber e eu possa edificá-los com isso.

De repente, eu me vi em uma comunidade assustadoramente maior do que a que servia antes. Muito trabalho, muito voluntariado, muita doação de tempo, de talento, de convicção. E cá entre nós, como eu amava (e continuo amando) esse lugar! Certamente a igreja é a comunidade que mais me encanta e me motiva a repensar sobre como posso ser melhor ao mundo. Mais parecida com Jesus, mais amável e segundo o coração Dele. Nessa nova comunidade, novos mundos me foram apresentados e eu me apaixonei por cada um deles. Eu não queria ir embora. Acordar cedo, dormir tarde, assistir aulas, ministrar aulas, crianças, adolescentes, jovens, casais, pessoas em recuperação e toda a história que pode ser familiar a você. Todo espaço vago na minha agenda virava compromisso na igreja. E minha saúde dando tchau.

Junto com a nova comunidade, também mergulhei no trabalho. Foram novas oportunidades surgindo, meu amadurecimento em xeque, meu desenvolvimento pedindo mais e mais, meu ímpeto dizendo “SIM” a todo instante e minha saúde dando tchau. Dias e mais dias arduamente ocupada. Acelerada. Atarefada. Dizia aos meus amigos: “Podemos nos encontrar semana que vem” e essas semanas nunca chegaram. “Perdão por não responder a sua mensagem” e logo estava ignorando-os de novo. Não por maldade, mas porque meu cérebro simplesmente passava por cima do que eu deveria pensar como um trator. Eu não lembrava mais onde tinha deixado as chaves de casa, trocava os horários das reuniões e constantemente ficava mais do que deveria trabalhando. Ou pensando que estava.

Estudar estava fora de cogitação. Descobri mundos que amava. Carreiras que queria. Profissões que almejava. E como resultado, quando não estava na igreja, estava no trabalho; quando não estava no trabalho, estava estudando; quando não estava estudando, estava dividindo os restos da Andressa com quem mais me amava. Inverti os valores. Esqueci o essencial. E a saúde? Bem, acho que com esse panorama, você já conhece o final.

Minha primeira internação foi em junho. No meio de um expediente, comecei a sentir tonturas e uma dor tão intensa no estômago que era impossível ficar em pé. Comecei também, nessa fase, a levar broncas de todos os especialistas: “Onde já se viu, uma menina tão nova estar tão estressada assim?” “Você acha que vai chegar a algum lugar assim?” “Você precisa cuidar mais de si mesma!”

Depois dessa primeira, todos os meses eram meses entre hospital/casa/hospital/casa. Já não conseguia mais passar uma semana sem precisar que aliviassem as dores de cabeça insanas que eu sentia, junto com as tonturas, vômitos, crises de gastrite, 15kg a mais acumulados e uma frase: “Depois eu cuido de mim, ainda sou nova.”

Com toda a minha história, que graças a Deus estou aqui para contar, o que eu mais preciso dizer é que sem saúde eu não conseguia fazer nada. No meio desse tempo, liguei para a igreja para avisar que não poderia estar no encontro de quinta-feira à noite e a senhora, tão sábia, me respondeu: “Cuide-se, menina. Deus precisa de nós com saúde, com força e com coragem para continuar.” Eu chorava. Não tinha mais a saúde que antes podia ofertar.

Hoje, depois de ter descoberto que essa vida estressada me trouxe uma labirintite e cistos no fígado, não há nada que me faça abrir mão de mim mesma. Tem sido uma luta contra os péssimos hábitos alimentares que cultivei, contra os exercícios físicos que deixei e contra o amor a mim mesma que simplesmente foi embora. Luta que será enfrentada um dia por vez.

É normal que nós tenhamos muitos compromissos, e ser cristão hoje só potencializa o ritmo das nossas agendas. Nós temos as celebrações do domingo, os cultos no meio da semana, os pequenos grupos, as ações sociais, os evangelismos, o ministério infantil, o de jovens, o das senhorinhas intercessoras, os discipulados, os grupos de estudo e a lista continua infinita…

Nós sempre queremos mais. Nossa liderança parece sempre querer mais. A pergunta é: nós estamos perguntando a Deus se Ele também quer mais? Será que Deus quer que acabemos em exaustão em nome Dele? Será que são noites sem dormir que nos aproximam do colo do Pai? A igreja não tem culpa dos “SIM” que dizemos sem olhar as consequências dos nossos atos. Deus também não.

Cabe a nós, discípulos de Jesus aqui na Terra, cuidarmos da nossa vida para que, integralmente, ela sirva ao Senhor. Estar em equilíbrio com a vida em comunidade é um dos primeiros sinais da espiritualidade saudável contemporânea, e é necessário que prossigamos olhando para a Cruz sempre pensando em como podemos ser mais excelentes. Ainda que custe dizer “NÃO” a um evento de vez em quando. Renúncia não é abrir mão da própria existência. Renúncia é colocar Cristo em primeiro lugar.

E que a paz de Cristo nos permita continuar até que Ele nos chame.

Ou até que Ele venha nos buscar.

Sobre Andressa Rosa

Se fosse definir uma menina cheia de sonhos, louca por Jesus e pelo poder que está no nome dEle... Se fosse definir a filha, a estudante de comunicação social, a atriz de alma e formação, que tem seu casamento planejado desde os 7 anos de idade... Se fosse definir o mundo dos "talvez" e das certezas, uma pequena biografia não seria o bastante. Então me chame de Dede. E vem conversar comigo!