Éfeso: uma igreja como a igreja de hoje (parte 1/3)

Postado por em jul 6, 2015 em Blog | Sem Comentários

Éfeso: uma igreja como a igreja de hoje (parte 1/3)

Em sua segunda viagem missionária (Atos 18.18-19), o apóstolo Paulo chegou pela primeira vez a cidade de Éfeso, e em sua terceira viagem (Atos 19) estabeleceu uma congregação e a pastoreou por aproximadamente três anos. Após Paulo, Timóteo ficou responsável pela igreja e teve a difícil tarefa de impedir que homens (Himeneu e Alexandre – 1 Timóteo 1.3, 20), integrantes da congregação e provavelmente presbíteros, contaminassem ainda mais igreja com “fábulas, mitos e genealogias intermináveis” (1 Timóteo 1.4) e por ideias de proibição e separação em desacordo com a Palavra (1 Timóteo 4.3).

Nos três anos em que passou em Éfeso, Paulo, provavelmente seguindo a linha desenvolvida por ele em suas cartas, dedicou-se ao ensino e as grandes verdades que estão explicitadas em sua carta a esta igreja. No entanto, após sua saída, a igreja caiu na tendência mais perversa do homem: abandonar a verdade. E pouco tempo depois Paulo viu a necessidade de escrever para a igreja uma carta de encorajamento, mas também de advertência. O objetivo da carta era claro: desafiar uma igreja já estabelecida, e quem sabe já confiando demasiadamente em sua própria força, a efetivamente crescer na Graça e serem firmes na Fé em meio a uma geração maligna.

Paulo era naquele período, juntamente com Pedro, a maior autoridade cristã. Sua autoridade não vinha de sua fama e destaque em participações em eventos “gospel” pelas ruas de Corinto ou Tessalônica. Ele não possuía um programa de TV e não estava presente em decisões políticas no Senado romano. Pelo contrário, Paulo era quem era, porque carregava em seu corpo as marcas de Cristo (Gálatas 6.17), adquiridas entre apedrejamentos, prisões e açoites, em noites e dias de fuga e privações. A igreja cristã primitiva olhava para Paulo e via nele alguém que buscava profundamente estar com Cristo, mas que ainda sim estava disposto a viver por aqueles que precisavam ouvir as Boas Novas de Salvação (Filipenses 1.23-24).

Com todas essas credenciais, Paulo poderia ter escolhido o caminho fácil de colocar aquela congregação nos “eixos”, lançando sobre eles uma lista de doutrinas humanas de o que “podiam” e “não podiam” fazer. Mas ao contrário disso, e sabendo que isso não produzia nada de bom (Colossenses 2.21-24), Paulo optou pelo caminho do Ensino da Palavra e começou a sua carta com uma recapitulação teológica trazendo respostas às perguntas que aquela igreja provavelmente havia esquecido ou começou a ignorar com o tempo: “O que a Salvação e como ela acontece?”, “Qual o nosso futuro?” etc. Paulo percebeu que uma igreja com uma profunda base doutrinária bíblica produz uma Fé correta e que cristãos que não possuem uma base teológica adequada nunca terão uma noção correta de Deus tampouco compreenderão aquilo que possuem na Fé em Cristo em Jesus.

Continua…

Sobre Daniel Clós Cesar

Casado e quase pai, sou formado em História e em Teologia, mas não me considero nem historiador nem teólogo, mas sou um leitor compulsivo de teologia, história e quadrinhos, também sou ilustrador nível super-hiper-básico (um chimpanzé cego tem mais habilidades).