A culpa é das estrelas

Postado por em jun 9, 2014 em Blog | Sem Comentários

A culpa é das estrelas

Dai povo, tudo certo? Primeiramente quero pedir desculpas a quem acompanha minha coluna por esse post: primeiro por não estar dando continuidade ao livro e segundo porque, diferente da maioria dos meus textos, que são mais objetivos que sentimentais, aqui está um fora do meu padrão. Quero pedir desculpas também à quem leu o livro “A culpa é das estrelas”, pois estarei escrevendo sobre algo que vocês têm mais conhecimento que eu e para os que não assistiram o filme tentarei não dar spoilers.

Não, eu não chorei. Sim, o filme é lindo e emocionante. A trilha sonora deixa ainda mais comovente. Mas eu não estou aqui para falar do que eu achei do filme, e sim sobre a lição principal que podemos tirar dele. Tentarei falar o mínimo possível sobre a história em si.

Um ponto que podemos analisar com Hazel Grace é como somos insatisfeitos. Ela era uma garota sozinha, só tinha aos pais e para ela era quase indiferente viver ou não. A partir do momento em que começou a viver sua história de amor com Augustus, queria ter mais tempo:

“Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros… Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter.

Precisamos viver o que nos é dado, no tempo que nos é dado. Não precisamos correr atrás do que ainda não chegou, e quando chegar não devemos nos preocupar com o tempo que vai durar. Em Mateus, capítulo 6 versículos 33 e 34 Jesus nos fala:

“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal” (NVI)

Outra coisa que me chamou bastante atenção foi o medo de Augustus: ele tinha medo de ser esquecido. Durante toda a narrativa ele usa o ser esquecido pelo mundo, mas por fim reconhece que basta, não quer ser esquecido pelas pessoas que o amaram. “O esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizermos voltará ao pó”. Devemos fazer agora tudo o que é nos pedido, não vamos adiar o que recebemos pra fazer, não saberemos a hora que Deus nos chamará. Espero que quando chegar o dia não tenhamos adiado nada e nem tenhamos feito coisas esperando reconhecimento. Afinal, a glória é dEle e para Ele.

“Os verdadeiros heróis, no fim das contas, não são as pessoas que realizam certas coisas; os verdadeiros heróis são os que REPARAM nas coisas.” (Gus)

O sentimento central da história: o amor incondicional. O dicionário diz que incondicional é algo absoluto, que não admite ou não supõe qualquer condição. Augustus tinha consciência de que poderia perder Hazel a qualquer momento, do mesmo modo, Hazel sabia que o câncer de Augustus poderia voltar. E mesmo sob essas condições eles dedicaram-se a todo momento em fazer o outro feliz, se preocupando e demonstrando quão importante um era na vida do outro.

Deus pede para que nos amemos uns aos outros como a nós mesmos. É exatamente isso que o jovem casal faz, amam no dia a dia, valorizam os momentos simples e doam-se de uma maneira pura.

Mas com certeza o que mais mexe com o expectador ou leitor é a perda. A morte é inevitável e todos nós tivemos, ou temos, medo de perder quem amamos, sejam pais, familiares, amigos, amores. Desde que eu me conheço por gente eu penso nisso, durante muito tempo sofri com isso, mas de tanto viver essa angustia de acordar sem alguém aprendi a valorizar o hoje, a dizer o quanto são importantes pra mim enquanto tenho tempo.

Porém, perdi minha avó a quase 4 anos. Ela tinha câncer, estava doente a algum tempo já. Eu estava morando fora de casa, quando vinha para a cidade sempre a visitava e tentava dividir meu tempo entre familiares e amigos que tinham ficado aqui. Três meses depois nasceu minha prima mais nova e conforme os meses foram passando eu ia percebendo que a vida das pessoas que eu amava estava andando e eu estava ausente. Não estive com minha avó em seus últimos meses de vida, não estava acompanhando o crescimento da nova integrante da família.

Isso começou a pesar. O medo do arrependimento voltou e eu decidi largar o “sonho” de me formar em uma universidade federal e voltei para casa. Voltei a viver com as pessoas que precisavam de mim, e das pessoas que eu precisava. Voltei a cuidar daqueles que abriram suas vidas para mim. O medo do arrependimento morreu. Hoje eu sei que eu faço o que posso para amar as pessoas que estão aqui, talvez por isso não tenha chorado no filme.

A grande lição ou então incomodo que John Green deixa para os leitores é que nós vamos sim perder quem amamos e muitas vezes essas pessoas estão sentadas do nosso lado no sofá assistindo televisão e não temos o trabalho de agradece-las pela oportunidade de dividir sua vida conosco. Augustus fala que “as marcas que os seres humanos deixam são, com frequência, cicatrizes”. Não deixe cicatrizes! Deixe lembranças boas! Deixe saudade! Deixe um até a eternidade!

O meu único medo hoje é não encontrar as pessoas na eternidade. Tenho muito medo de que meus pais, amigos, irmã, tios, primos morram sem ter aceito Jesus como seu Senhor e Salvador. Meu objetivo é demonstrar o amor de Cristo por essas pessoas, para que elas se interessem e venham a viver Cristo.

“As vezes as pessoas não tem noção das promessas que estão fazendo no momento em que as fazem”. Evite fazer promessas, tente demonstrar o simples, aquilo que você é capaz de fazer e que é verdadeiro. Procure não machucar as pessoas que te amam. Aquela frase batida de O Pequeno Príncipe, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, realmente é uma verdade. Muitas vezes fazemos promessas para cativar as pessoas e depois acabamos abandonando-as. Seja atencioso e cuidadoso. Repare no que as pessoas estão sentindo ou precisando, permita-se ser usado por Deus na vida de seus próximos.

Provavelmente John Green não é cristão, mas conseguiu passar através de Augustus e Hazel Grace o amor que Cristo espera que tenhamos com nossos irmãos, um amor sem interesses e sem expectativas, um amor puro e inteiro. Não gosto de bandas, livros, filmes ou seriados “modinhas”, mas hoje pegando o livro para tirar uma frase resolvi lê-lo.

“Ame o seu próximo como a si mesmo”. Mateus 22:39

Sobre Paloma Pena

Teimosa, intensa, super protetora, eterna criança, aprendiz de engraçada.